
Eu sou aquela ideia que mais luta para sobreviver. E
minha atividade nada mais é do que consumir a realidade. Pode imaginar
então, o quão nocivo eu sou para o homem, privando ele de qualquer
contato razoável com a realidade. Entretanto, também enfrento algumas
dificuldades: o homem costuma eliminar aquilo que o faz mal. Para permanecer dentro do homem, me alimentando de realidade, tive que evoluir,
aprender a iludir. Em troca, eu dou conforto e serenidade, entorpeço sua
mente e seus sentidos para que não me refuguem enquanto eu, deliciosa mente me alimento da sua capacidade de enxergar a realidade, eliminando
como produto final de minha digestão e diretamente para suas mentes, a
fantasia. Aqueles que precisam desesperadamente de conforto costumam
me procurar. E eu os acolho de braços abertos, contanto que estejam dispostos a abandonar a realidade.