Eu fiz 16 anos outro dia. Como se eu tivesse acordado de um sonho estranho. Em 25 eu faço 38. A sensação é que quanto mais o tempo passa, mais rápido o tempo passa. Como se eu tivesse descendo uma ladeira com os freios quebrados. Eu queria ter parado naquele café. Eu tô mudando. Eu fico revisitando os vídeos que eu fazia e os textos que eu escrevia. E eu não desgosto, mas é… é diferente. Como se outra pessoa tivesse feito.
Eu penso muito em quem eu costumava ser. Aquele garoto bobo, cheio de sonhos inocentes e ideias românticas sobre a vida. E que eventualmente aprendeu a aceitar que nem todos eles vão se concretizar. Sabe quando você é novo e você carrega essa carga gigantesca de energia potencial. Existe uma pequena chance de você ser qualquer coisa. Você é atleta, músico, empresário, escritor, astronauta. Tudo ao mesmo tempo. O que o tempo faz é eliminando as coisas que você um dia pode se tornar. E escolher um desses caminhos é sacrificar outros trinta. Eu tô sentindo saudade daquele moleque.
De todas as coisas que ele tinha potencial de ser. E eu fico imaginando. Onde ele tá agora. O que ele acha de mim. Talvez em algum lugar dessa estrada doida que é a vida, eu encontre ele de novo. Tomando um café sem açúcar ou uma Heineken bem geladinha, e ouvindo um episódio de podcast sobre ficção cientfica. E a gente morre a rir de tudo isso. Como quem diz, olha pra gente agora. A vida tem que valer a pena.
A gente tem que estar aqui por algum motivo. Então até que o tempo elimine todas as nossas opções, a gente vai continuar procurando. E de alguma forma, tudo isso, um dia, vai fazer sentido.